sexta-feira, 30 de julho de 2010

1958

O canto dos pássaros
era desolado,
foi o que disse
o homem que enlouqueceu
em Big Sur.

Era ele,
o olhar contava,
denunciava o horizonte
do desespero
e o que restava
era a crença
de que um dia
tudo esteve certo.

O chão
não conforta,
não enfrenta.
Como eu
mas não como você.

O fim é sempre
um momento anterior,
um passado
que só obscurece
à luz da comparação
e com seus olhos fechados
chegará o verão
de sua autonomia.
Cego como os daqueles
cujos olhos

foram devorados.

Faça-me jurar

É sempre meia noite
é sempre começo
é sempre fim

já não sei se vivo
já não sei se morro.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Ele podia dormir
então nunca notou
os pesadelos
de um olhar.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

10 segundos

Como as folhas
na copa da vida
tendemos a oscilar mais
de acordo com o vento
que nos urra.
Quando demasiado
vamos para longe
e até apodrecemos.
Mas diferente
da proteção,
na exterioridade
é que brilhamos.

domingo, 25 de julho de 2010

.........................
Passos leves
passos pesados
coerentes
discorridos
afetados.

Os laços embalados
sobre cinturas soturnas
passantes
simulando emoções
estimulando ereções

olhares se tornam
pendulos agressivos
nebulosos entre a fumaça
o hábito e a dor.

dia-a-dia
tomamos a forma
de onde estamos
perdidos em um círculo
uma esfera de repetições
.............

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Um dia
acabarei preso
por meus sonhos

terça-feira, 20 de julho de 2010

O erro contínuo

Ela apenas brilhava
enquanto toda porra
escorria.
Era subversiva
aquela obsessão
em sentir uma parte derivada
aquecer qualquer segmento
de um corpo à muito
esquecido pela ternura.

Um ideal transferido,
transformado,
tudo pelo imediato
dentre as paredes brancas
contendo colchas brancas
e corpos pardos
que se estreitam
através dos mesmos erros
cometidos
por eternas noites
repressoras.

Caridade,
tudo foi doado
sem qualquer concepção
e o que restou
foram mentiras
vontades
que se esvaem
para um fim oblíquo
em um leito
antes de parir a fuga.

Ele nasce
e já esqueceu.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

e grita dentro de mim
minha cidade maravilhosa
que fere,sente e mente
em um violento uivo
de perdição.

domingo, 18 de julho de 2010

Estúpido e contundido
percebo
por que pássaros
não voam na chuva
A chaleira grita na cozinha
enquanto a feira passeia
e a fumaça
se espalha.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Parafraseando Leminski

As vezes seu silêncio
me lembra de que não existo
não me fale de paz
pois paz é isto.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Limpo rastejo

Rastejando
pele adentro
enquanto todos aspiravam
mais.

Policiais e delegados
lançando suas sombras
sobre suas próprias leis
em confusão
com princípios e ética

e os monstros
domados e tomados
em desespero
esperam o sono chegar.

Na noite
eles não estavam nus
mas protegidos
pelo blackout
que prenuncia
o amanhecer da desesperança.

Saiam ratos
roam meus rastros
e dissolvam
o viver.
Mudanças
são pedaços de merda
nos quais pisamos
com um descontrole intencional
e no fim
sempre queremos
limpar os sapatos.